O ano de 2025 começou com grandes alterações nas relações econômicas, políticas e produtivas entre as nações, gerando mal-estar, preocupações crescentes e desconfianças generalizadas, cujos resultados são desconhecidos por completo. O retorno de Donald Trump é o epicentro destas grandes alterações sobre o cenário internacional, gerando variadas políticas protecionistas, novas tarifas e alíquotas comerciais e confrontos com nações e grupos de nações, que podem catalisar maiores confrontos entre países hegemônicos.
No cerne destas discussões e políticas protecionistas, estão a perda de espaço da economia norte-americana no cenário global, que embora seja a maior economia do mundo, apresenta uma perda crescente de competitividade dos setores industriais e produtivos, ainda mais quando percebemos a ascensão asiática, notadamente a chinesa, que busca um reequilíbrio de poder e de riqueza num mundo volátil, incerto, quente, volumoso e marcado pelo predomínio do mercado financeiro global.
Nesta crescente guerra comercial que vivemos atualmente, as nações buscam defender seus setores econômicos e produtivos, impondo alíquotas de importações maiores, novas formas de proteção industrial, taxação de empresas vistas como estratégicas e medidas claras de proteção interna, defendendo seus empregos, suas empresas e a renda de sua população, garantindo crescimento econômico.
Numa economia globalizada, muitas políticas protecionistas adotadas pelos governos podem gerar graves constrangimentos internos para sua estrutura produtiva, elevando custos de produção e culminando no incremento dos preços internos, gerando inflação e medidas de austeridade das Autoridades Monetárias, elevando as taxas de juros e desacelerando a economia nacional, com graves impactos sobre a renda nacional e a geração de emprego.
É importante que as economias nacionais compreendam os grandes desafios da sociedade contemporânea, as pressões comerciais e políticas dos norte-americanos devem ser vistas com tranquilidade e maturidade e, ao mesmo tempo, precisamos preservar a soberania e a autonomia nacionais, afinal, muitas das políticas anunciadas pelo governo norte-americano são uma verdadeira afronta a democracia e a soberania dos parceiros comerciais.
Muitas destas políticas anunciadas pelo governo Donald Trump podem levar parceiros históricos a se bandearem para o lado chinês, buscando novas oportunidades comerciais, recursos monetários e financeiros para financiar sua expansão comercial e produtiva, além de angariar proteção contra as retaliações estadunidense, desta forma, estamos vislumbrando uma grande transformação geopolítica mundial, um redesenho da estrutura produtiva e novas formas de poder e de riqueza.
A ascensão chinesa está reconfigurando a estrutura global de poder, levando o governo norte-americano a uma postura mais agressiva e pragmática, neste momento, as economias em desenvolvimento, como a brasileira, precisam compreender os desafios que se avizinham, atraindo investimentos asiáticos, buscando a transferência de tecnologias, construindo parcerias estratégicas para investimentos em infraestrutura necessárias para o crescimento econômico, mas ao mesmo tempo, construir consensos internos para investir fortemente em capital humano, incrementando os recursos orçamentários para a pesquisa científica e tecnológica, deixando de lado recursos obscuros que abastecem os ralos da corrupção e contribuem ativamente para a perpetuação dos desequilíbrios que caracterizam a sociedade brasileira. Vivemos um momento único para isso, precisamos forjar lideranças que compreendam o momento histórico e compreendam as oportunidades que se abrem para a coletividade.
Ary Ramos da Silva Júnior, bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.