Numa sociedade global marcada por grandes mutações, onde os agentes econômicos se digladiam como forma de garantir novos espaços de crescimento, onde os modelos de negócios se transformam diuturnamente, onde as tradições estão em constante movimento, onde os seres humanos sofrem num ambiente de incertezas crescentes, onde os conflitos crescem de forma acelerada, tudo isso impulsiona as instabilidades emocionais, ansiedades e depressões.
As decisões econômicas impactam fortemente sobre os seres humanos, os investimentos produtivos impulsionam a geração de emprego, com melhoras substanciais da renda dos trabalhadores, aumentando o consumo e movimentando os setores produtivos, impactando fortemente para toda a comunidade. As decisões econômicas melhoram as condições de vida da coletividade, capacitando e qualificando os setores produtivos para aumentarem a produtividade do trabalho, preparando a economia para desafios e vislumbrando espaços valiosos de crescimento econômico e perspectivas de desenvolvimento.
Vivemos numa sociedade onde a economia ganhou uma relevância exagerada, a ciência econômica se restringe apenas a questões financeiras, todos os indivíduos pensam como empresas, se vendem como se fossem mercadorias, buscando apenas lucros imediatos, melhorando suas imagens externas como uma grande estratégia de marketing pessoal e transformando o networks em um espaço de novos negócios e ganhos monetários, estimulando uma concorrência crescente e exagerada, deixando de lado a ética e os valores em prol dos ganhos materiais, desta forma colhemos incertezas crescentes, amizades interesseiras, belas imagens externas, com corpos sarados e vazios emocionais, cultuando a ignorância e rechaçando a ciência.
Nesta sociedade, dominada pelos interesses do dinheiro, centrada no imediatismo, no individualismo e no narcisismo crescentes, percebemos que os ganhos materiais são a tona da organização social contemporânea, os valores democráticos perdem espaço quando os interesses do capital estão em risco, desta forma compram consciências, derrubam governantes, destroem reputações, contratam profissionais qualificados porém desprovidos de valores morais, adquirindo instituições e acreditando que o dinheiro domina a sociedade, rechaçando o pensamento crítico, usando o seu poderio econômico e sua força política para perpetuar seus privilégios e, se necessitar de força física para impor seus interesses, sem pestanejar, usam os aparatos repressivos do Estado para garantir seus benefícios.
Vivemos na sociedade contemporânea um conflito aberto e cada vez mais escancarado, governos que sempre adotaram políticas em prol dos interesses dos capitalistas não mais escondem suas escolhas imediatas, repassam grandes somas do orçamento público para seus financiadores e restringem recursos para políticas públicas dos setores mais vulneráveis da sociedade, aumentando os espaços de conflitos entre setores da sociedade, aumentando as polarizações, incrementando as desigualdades sociais e aumentado as incertezas, os medos e os ressentimentos, que podem culminar em graves desequilíbrios políticos.
Vivemos numa sociedade marcada pelo crescimento da degradação do meio ambiente, embora muitos grupos rechacem previsões catastróficas, percebemos claramente que o clima está diferente, as estações do ano mudaram, a temperatura aumentou sensivelmente e tudo isso está associado a um modelo econômico excludente, gerador de desigualdades e explorações constantes. A economia se faz imprescindível para a convivência social, mas nunca devemos nos esquecer, que esta ciência não é autônoma e está fortemente atrelada às questões políticas.
Ary Ramos da Silva Júnior, Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor un